Fashion Revolution: The True Cost e Cinco anos após Rana Plaza.

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  Fashion Revolution e Cinco Anos Após Rana Plaza:

    Se você está, de uma certa forma envolvido com mercado da moda, muito provavelmente já deve saber sobre o que se trata o Fashion Revolution. Talvez você não faça parte do mercado fashion, mas esteja a par das notícias que envolvem o consumo consciente (o que, na realidade, não te excluí dessa grande teia chamada "moda"). Contudo, se você, por um grande acaso, apenas caiu aqui de paraquedas... Bem, sendo assim, vou lhe contar, de forma breve, um pouco do que o Fashion Revolution se trata. 
 Para isso, precisamos, antes de mais nada, relembrar o desabamento em Bangladesh em 2013 - no qual deixou 1.133 pessoas mortas e 2.500 feridos. Rana Plaza foi um edifício de oito andares localizado nas proximidades de Dhaka, em Bangladesh; complexo de fábricas de confecção com trabalhadores terceirizados (mulheres, em sua maioria), onde a mão de obra era - e ainda é - mais barata, beirando ao trabalho escravo. As condições do estabelecimento já estavam em risco, porém esse fatores foram cruelmente ignorados pelo superiores, acarretando assim, na morte de milhares de pessoas que lutavam para sub-existirem. Depois desse acontecimento, o mercado da moda foi visto com outros olhos, uma vez descoberto o envolvimento de grandes marcas de fast fashion na utilização a mão de obra barata para produzir em grande escala. 

Com o objetivo de conscientizar a população sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as etapas do processo de produção e consumo, nasceu o Fashion Revolution Day, um movimento global, formado por líderes da indústria da moda sustentável, no qual há a visão da mudança social através de uma moda consciente, ética e sustentável. Segundo a co-fundadora, Orsola de Castro, a pergunta que norteia todo esse movimento é : ''Quem Fez as Minhas Roupas?'', nos levando assim, a refletir como temos caminhado em relação ao que consumimos, e a forma como esse consumo desenfreado afeta o ecossistema e também os seres humanos. 


Hoje fazem exatamente cinco anos desde o desabamento do Rana Plaza, e apesar de existirem marcas e pessoas dispostas a falar e também a mudar esse aspecto do cenário da moda, ainda se faz necessário percorrer um longo caminho para alcançar uma modificação ainda mais significativa. 
É sabido, que após essa tragédia, pequenas ações já foram tomadas. Porém,  segundo o Centro Americano de Solidariedade Internacional do Trabalho, pelo menos 84 trabalhadores morreram e 452 ficaram feridos em 94 acidentes no setor industrial de Bangladesh desde a tragédia de Rana Plaza. Isso só nos mostra o quanto ainda precisa ser feito, para que muitos outros trabalhadores sejam ouvidos, e tenham os seus direitos atendidos. 
Deste modo, o Fashion Revolution busca levantar debates (e ações) a fim de promover a existência uma moda inteligente, na qual o consumidor pense não em apenas satisfazer seus desejos momentâneos, mas também pense no trabalho empregado por detrás daquilo que se compra, e se questionem, se tais roupas realmente valem o preço que nós nos mostramos dispostos a pagar.



The True Cost e Minha Relação Com o que Visto:

Pegando o gancho em relação a uma data em que o consumismo e a forma como relacionamos com a moda se torna um assunto latente, venho compartilhar através de um viés pessoal um material que me fez pensar de forma profunda a forma como me relaciono com o vestir: The True Cost (disponível na nossa querida Netflix). Trata-se de um documentário no qual são abordados assuntos como consumismo e responsabilidade social - e a partir de discussões a respeitos desses temas, nos é apresentada a moda muito além do glamour: podemos acompanhar os processos que nossas roupas passam para chegar até nós por preços pequenos; em como nossas fontes naturais têm se esgotado e sendo poluídas por substâncias tóxicas, causando doenças de pele e agravando cada vez mais a situação de populações de países em desenvolvimento. O Doc nos mostra, de forma direta e responsável, o poder que temos de mudar diretamente a vida dessas pessoas; nos faz pensar o quanto o capitalismo é cruel, com as suas leis que nos negam os direitos humanos mais básicos. Apesar de, ao longo do processo, o documentário nos apontar marcas e pessoas dispostas a mudarem esse cenário; o que mais me atravessou foi ver a forma como o ser humano -nossos iguais - acaba sendo reduzido a mero objeto. 

A forma como me visto e consumo hoje, não é muito diferente de há alguns anos. A verdade é que, devido a minha condição de vida, nunca fui o tipo de pessoa que compra por impulso. Na verdade, sempre calculando o dinheiro disponível para se gastar em uma peça de roupa, optei por comprar em brechós e bazares. - vejo estas alternativas como uma possibilidade de consumir menos e procurar por peças que realmente possam durar e devo ressaltar que isso também contribuiu e contribui para a construção do meu próprio estilo. Para além da experiência, estar em contato com algumas áreas da moda; ler/pesquisar/ assuntos relacionados a uma moda mais consciente, me fizeram compreender estas questões de maneira ainda mais clara. É claro que não vou ser hipócrita. Sei muito bem que a população menos favorecida, nem sempre pode se dar ao luxo de refletir esses fatores. A roupa, para muitos, serve apenas para cobrir o corpo, e muitas vezes ajudar a ter o mínimo de "status social", a fim de não ser esmago por uma sociedade preconceituosa. Mas como todas as demais postagens do Blog estão, em suma, baseados em minha visão sobre os mais variados assuntos enquanto mulher negra; gostaria de pontuar, por fim, a importância de entender que nós, pessoas negras, temos igualmente o direito de estarmos engajados em assuntos voltados à moda, sustentabilidade e afins. Devemos, similarmente, compreender que a forma na qual nós consumimos (através de bazares/brechós/customizações) também contribuem para a promoção de uma moda mais consciente. 

Considerações Finais:

Ufa, chegamos ao fim de uma pequena parte desse assunto! O que foi apresentado aqui é só uma pontinha do Iceberg - existem também, muitos profissionais na área que podem falar de formas muito mais profundas sobre sustentabilidade, moda consciente e éticas dentro do mundo fashion. No entanto, em uma data de tamanha reflexão, eu não poderia deixar de contribuir e construir essa ponte até vocês.

As programações do Fashion Revolution vão acontecer pelas principais capitais do Brasil. Caso você tenha interesse em participar de alguma ação é só acessar o site do evento (clique aqui).

Finalizo assim, com uma frase que me fez refletir grandemente: Continuaremos procurando a felicidade consumindo coisas? Ficaremos satisfeitos com um sistema que nos faz sentir ricos, enquanto empobrece dramaticamente nosso mundo? Continuaremos a ignorar a vida daqueles que estão por trás de nossas roupas? Ou será este um momento de virada, um novo capítulo na nossa história, quando juntos, começaremos a fazer uma verdadeira mudança… quando lembrarmos que TUDO o que vestimos foi tocado por mãos humanas? No ceio de todas os desafios que enfrentamos hoje, por todos os problemas que parecem maiores do que nós, e além do nosso controle, talvez possamos começar aqui, com as roupas.

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